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Uma segunda opinião sobre lançamentos, novos e velhos clássicos - ou não.

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Editado por @GaiaPassarelli e @ChuckHipolitho

Divirta-se.

Coldplay - Mylo Xyloto (2011)

“Terrível ouvir esse disco inteiro. Deve ser a coisa mais sem sal do rock”… - Pois é, nosso primeiro ZERO, por Fábio Bridges.

Coldplay - Mylo Xyloto (2011 - Pearlophone)

 (zero)

ELES VÃO DOMINAR O MUNDO. E FAZER DELE UM LUGAR MUITO CHATO.

Quando o Coldplay surgiu, lá no fim dos anos 90, o britpop já estava gasto. As brigas entre Oasis e Blur já não chamavam mais a atenção de ninguém, o Radiohead já havia saído da órbita terrestre, então a área estava livre para novos artistas dispostos a lotar estádios e vender discos como água.

Confesso que quando ouvi “Yellow”, primeiro hit da banda saído de seu primeiro disco (Parachutes, de 2000) gostei da música. Um clima romântico, boas guitarras em acordes simples, algo que parecia o Radiohead do início. Ok.  Um amigo da época tinha Parachutes e eu até que o ouvi razoavelmente, mas cansou rápido, havia coisas bem mais interessantes acontecendo. Pensei então que o Coldplay gravaria mais um ou dois discos, faria um sucesso mais local que global e desapareceria sem deixar rastros nem saudades. Ledo engano!

Este ano o vocalista e bom moço Chris Martin e seus escravos - ops, parceiros - chegaram a seu quinto álbum no posto de provável sucessor do trono do U2 como banda de rock mais chata e popular do planeta, sustentado por hits, shows épicos eestádios lotados. Senhoras e senhores, com vocês Mylo Xyloto. É, o novo disco dos ingleses tem esse nome mesmo.

Esmiuçar este álbum foi terrível, só tenho isso a dizer. A falta de tempero do Coldplay torna a audição de Mylo Xyloto uma jornada por um mundo onde preto é preto, branco é branco, meninos são sempre meninos e gostam sempre de meninas que andam de vestidinhos cor de rosa e só perdem a virgindade após o casamento.  A produção do outrora genial Brian Eno não faz mais que dar uma “ambientada” nas faixas, com arranjos maiores e mais orquestrais ou sintetizadores chulos, o que não ajuda nem um pouco músicas sofríveis como “Us against the world” (será que a letra se refere à banda? Ou a Chris Martin e sua também sem sal esposa? Mistério!), “U.F.O” ou “Paradise” a soarem menos caretas.

Mas o pior fica por conta da supostamente moderna “Princess of China”, que tem a participação da mulher de malandro Rihanna num dueto que consegue ser pior que Duets (foi mal o trocadilho, não resisti).

Resumindo a conversa, Mylo Xyloto vai agradar fãs do Coldplay, que agora são os mesmos de Rihanna, Britney e U2. A banda provavelmente continuará a lotar estádios, vender muito e ganhar uma boa grana para gravar outros álbuns, lotar estádios, vender muito, etc, num ciclo conhecido como mundo pop. Se isso é um problema? Claro que não, contanto que eu não precise ouvir mais nada deles pelo resto da minha vida.

Pop will eat itself!

Toca frio. 

 

Blondie - Panic of Girls (2011)

Sabe o Blondie, né? Bom, a banda lançou disco novo, com capa bonita e tudo. O Tomaz Alvarenga ouviu.

Blondie - Panic of Girls (2011 - Parlophone)

Blondie - Panic Of Girls (2011)

NA FLOR DA (MAIOR) IDADE

A relação de proximidade e cumplicidade entre um formador de opinião e sua banda querida ainda será tema de monografias e dissertações. Quem gosta de cultura pop inevitavelmente acompanha as críticas. Pode não gostar delas, mas inegavelmente servem de parâmetro, nem que seja apenas pra nutrir ódio pela discordância.

Eu cresci lendo a Showbizz, Zero, Bizz, assistindo diariamente a MTV, lendo as resenhas dos principais jornais e dilapidei meu gosto pessoal. O que observo  é que a grande maioria dos grandes nomes do jornalismo musical hoje são quarentões - e eram jovens na década de 80.

Pois bem, na juventude nosso gosto musical é moldado por amigos, namoradas, referências da família e claro, acabamos tendo proximidade com muitas bandas por vermos nela respostas pra dilemas, conforto para dias tristes ou mesmo pra embalar um sábado ensolarado ou aquela balada com a pessoa desejada.

Veja só o Echo & The Bunnymen, por exemplo. Difícil achar uma crítica negativa deles ainda hoje, tamanho o saudosismo. Pois os críticos em grande parte m jovens na época de Ocean Rain e possuem  dificuldade em admitir a sua decadência nos anos seguintes (o último álbum razoável deles, convenhamos, foi o Evergreen, na década de 90). The Cure, do ótimo Robert Smith, não possui tropeços? E o New Order, que ainda está trôpego por aí?

Outra banda dessa turma querida de formadores de opinião já na meia-idade é o Blondie. Desnecessário discorrer sobre sua influência e importância, um dos maiores nomes do punk/new wave. A vocalista (e ex-coelhinha da Playboy) Debbie Harry certamente embalou as noites solteiras de vários jornalistas quando ainda eram meros estudantes.

O grupo resolve em 2011 lançar novo álbum, Panic of Girls, e engatar uma turnê. Justo, honesto. Só esqueceram de avisar a trupe que eles já são da turma do Iron Maiden, do Deep Purple, do Dylan, dos Stones e de muitos outros onde a (grande maioria) do público vai no show pra ouvir os hits. As músicas novas, sendo boas ou não, passam quase que despercebidas.

Mas já que vai lançar, tinha que caprichar. Música é legado. Ouço “Wipe Off My Sweat” e dá medo, com seu espanhol e música flamenca. Sim, é isso que leram, mas ainda piora. “Le Bleu” tem climão de cabaré francês, onde a vocalista joga todo seu charme. Mas ela já tem 66 anos! Se o disco vier com um selo “PG-50” (acima de 50 anos) até faria sentido. Claro, o álbum também apresenta canções alegres com os teclados se sobressaindo (uma de suas marcas registradas), mas é difícil se esquivar do cheiro de naftalina em cada canção.

Jazz, blues e rock’n’roll podem melhorar com o passar dos anos. Mas alguns estilos, quando desenterrados, parecem um pálido retrato de outrora. Perdem a validade. Melhor escutar outras bandas novas que bebem na mesma fonte, soam honestamente joviais.

Panic of Girls não chega a ser ruim se escutado friamente, desconsiderando a respeitável discografia do Blondie. Mas está aquém do que deve se esperar da banda, e se está aquém, melhor não fazer.  Senão o pânico se espalha e não queremos desagradar uma senhora na flor de seus 66 aninhos.

E o clipe não ajuda.

 

Lenny Kravitz - Black and White America (2011)

Tomaz Alvarenga valorizou o novo do Lenny Kravitz e deu 2 estrelinhas ao disco. 

Lenny Kravitz - Black and White America (2011 - Roadrunner Records)

FUNK SEM CORES

Você já foi a uma grande loja ou supermercado e viu aqueles CDs disponíveis pra audição, com aqueles fones enormes? Você escuta (geralmente as primeiras faixas) e decide se compra ou não o álbum, certo? Partindo deste pressuposto, Black and White America, novo álbum de Lenny Kravitz seria uma excelente pedida.

Após ouvir as duas primeiras músicas, as ótimas “Black and White America” e “Come and Get It” comecei a imaginar este texto com aquelas frases de efeito que jornalista adora, tipo “melhor álbum de Lenny dos últimos dez anos” (até porque seus últimos lançamentos são irrelevantes, principalmente Baptism, um dos piores álbuns da década). Mas abortei desta ideia após escutar o restante das faixas.

Lenny Kravitz iniciou a carreira com os ótimos Let Love Rule (1989) e Mama Said (1991) e seus três álbuns posteriores, não são irrepreensíveis, mas possuem bons momentos de um grande hit-maker na fusão do funk com o rock.

O último suspiro de criatividade foi Lenny (2001) abusando de uma fórmula já desgastada. Em seguida, lançou uma festejada coletânea, com a bela “Again”. Nos anos seguintes tentou se renovar e constantemente irritou seus ouvintes.

Neste nono álbum de estúdio a tragédia se repete. Após as duas boas faixas o choque é brutal. “In the Black” é insossa, “Liquid Jesus” é um pecado. “Rock Star City Life” é sua tentativa fracassada de fazer hits com riffs de guitarra simples, mas muito longe de “Are You Gonna Go My Way”, “Always on the Run” ou “Fly Away”.

Ouvindo a sexta faixa, “Boongie Drop”, pensei que fosse algo da Shakira - mas sem o rebolado e encantos da colombiana. É terrível, vergonhosa e ainda tem o Jay-Z pra endossar - que, inegavelmente, se sai melhor que Lenny. Já “Stand” lembra as piores coisas do rock farofa dos anos 70. E Lenny tenta em vão ser Prince em “Superlove”. Coitado.

As músicas “Looking Back Your Love” e ““Life Ain’t Ever Been Better Than It Is Now”  são um sopro de inspiração, mas muito aquém do vendaval que causava outrora. O naipe de metais salva a messiânica “Faith of a Child”, balada medíocre, bem abaixo de clássicos como “Can’t Get You Off My Mind” , “I Belong to You” e “Stand by My Woman”.

Mas em seguida, temos a medonha “Sunflower”, um flerte sem a menor vergonha com a world music. O final com “Push” é atenuante. Sinal de que Kravitz ainda não reencontrou a boa forma, mas continua na procura. Às vezes errando mais que acertando, mas nunca deixando de arriscar.

O clipe é bem humorado até…

Mas é o mesmo que somar esse:

 

Com esse:

 

Pena que o resultado não funciona.